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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Orientações para a introdução de alimentos.

(Quer ver a lista de posts sobre alimentação e sugestões de papinhas? Clique aqui)

Entre os momentos da pediatria que mais me agradavam desde a residência, merecia destaque a consulta em que orientamos as mães sobre a introdução da alimentação complementar. Trata-se da consulta de puericultura (Aqui em Brasília tem o nome besta de "CD" - Crescimento e Desenvolvimento) que precede o 6o mês completo.
Infelizmente, o xiitismo da pediatria muitas vezes nos faz perder o momento certo, que não muito raramente ocorre antes dos 6 meses completos, inclusive aqui em casa (leia aqui). Nesses casos, às vezes por pura falta de orientação, outras por preguiça mesmo, ocorrem erros grotescos. Exemplo? Danoninho® como o primeiro alimento complementar de um bebê de quatro meses. Juro que não estou inventando!! Minha amiga Paolla do Mamãe Pediatra pode confirmar.
Começar a introduzir alimentos para um bebê não é fácil. Dá um trabalhão e é muito frequente que tenhamos que mudar a alimentação da família para que o bebê possa aprender a comer de forma mais saudável que os pais. Afinal, não desejamos que eles herdem nossos vícios, certo?!




Seguem algumas dicas básicas para podermos começar da maneira mais correta:


  • Alimentos devem ser preparados inicialmente na forma de papas ou purês, oferecidos com colher, sempre na consistência mais espessa que a criança aceitar
  • Evite usar liquidificador ou processadores (mas eu acabei usando muitas vezes meu mini processador, porque o Vinny, aos 5 meses, estava engasgando). Prefira amassar. 
  • A introdução de alimentos deve ser gradual, de preferência um item novo por vez, repetido em duas ou três refeições antes da introdução do próximo. DICA DA JUFaça uma lista dos alimentos já introduzidos, se possível com apontamentos do tipo "prendeu o intestino", "cólicas", etc. 
  • Tudo o que você já deu pode ser repetido nos outros dias. Apenas os alimentos ainda não oferecidos devem respeitar o limite de uma "novidade" a cada um ou dois dias. As anotações te ajudarão a não oferecer dois alimentos que prendam o intestino no mesmo dia, por exemplo. Também facilitam a vida se houver mais gente revezando os cuidados com o seu bebê.
  • A partir do início da alimentação complementar devemos oferecer água filtrada à criança com frequência, pois os novos alimentos causam sobrecarga de solutos nos rins.
  • Continue oferecendo o seio ou fórmula infantil em livre demanda, até que a alimentação esteja bem estabelecida.
  • Use apenas óleo vegetal (oliva, girassol, soja, canola), sal em pequena quantidade e temperos naturais. Nunca use temperos prontos, pois apresentam excesso de sódio.
  • Evitar: chás, sucos açucarados, leite em pó erroneamente diluido e/ou acrescido de farináceos, sopas diluidas, entre outros.
  • Não acrescentar leite ou açúcar aos alimentos visando melhorar a aceitação. 
  • Não compare! O tempo de aceitação de alimentos e o volume consumido podem variar muito entre o seu filho e o da sua amiga.

Comece  introdução pelas frutas. Por serem adocicadas, são mais facilmente aceitas no período em que o bebê precisa aprender que a dieta será oferecida em colheres além do seio ou mamadeira. A primeira fruta que o Vinny comeu foi pêra.
Os sucos devem ser oferecidos preferencialmente após as refeições principais, e não em substituição a elas. A dose máxima de sucos deverá ser de 240 ml/dia. Lembre-se que estômago cheio é estomago saciado. Ou seja: se seu filho tomar muito volume de suco (ou de uma sopa diluida), acabará sem fome depois. E o valor nutricional não é o mesmo: 10 ml de suco contém muito menos nutrientes e calorias que o mesmo volume de papa.
Enquanto a aceitação do bebê não for satisfatória, ofereça o seio ou fórmulas após as refeições.
Após introduzidos vários alimentos, as papas salgadas devem conter ao menos um alimento dos seguintes grupos:

A) Tubérculos ou cereais - fontes de carboidratos: batata, mandioca, batata baroa (mandioquinha), cará, arroz, macarrão, etc
B) Leguminosas - fontes de proteínas vegetais: feijão, soja, ervilha, lentilha, grão de bico, etc. 
C) Proteína animal: carne de vaca, frango, ovos, peixe.
D) Legumes: cenoura, beterraba, berinjela, chuchu, abobrinha, etc.
E) Verduras - fontes de fibras: couve, espinafre, brócolis, escarola, repolho, etc.

É normal que o bebê não aceite no primeiro contato alguns (ou todos) os alimentos. Não rotule tipo "Meu filho não gosta de beterraba" quando isso ocorrer. São necessárias em média 8 a 10 exposições ao alimento para que ele seja plenamente aceito pela criança. 
Não é porque sua família não consome verduras, ou determinados alimentos como por exemplo grão de bico, que eles não devem ser ofertados ao bebê. Lembre-se de não transferir ao seu filho gostos e vícios alimentares que são seus.

Respeite SEMPRE o tempo de adaptação aos novos alimentos e os volumes a serem consumidos, permitindo a atuação dos mecanismos regulatórios de apetite e saciedade. Esses mecanismos devem ser respeitados desde a introdução dos alimentos, evitando interferir negativamente na capacidade de auto-regulação da ingestão alimentar. Em poucas palavras: o bebê não precisa "comer tudo" somente para saciar nossas frustrações maternas. Ele come o quanto a fome dele mandar. 
Embora seu filho pareça comer bem em algumas refeições e mal em outras, evidências sugerem que o consumo energético em 24 horas costuma ser adequado. Atitudes extremamente impositivas podem induzir ao hábito de se comer mais do que o necessário, contribuindo para o desenvolvimento da obesidade infantil.
A percepção correta das sensações de fome e saciedade é condição imprescindível para a nutrição adequada.

Boa sorte pra nós.

FONTE CONSULTADA: Manual de Orientação - Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

2 comentários:

  1. Eu sei que não podemos transmitir alguns gostos/vícios pras crianças, mas... não consegui dar jiló pra Denise. Juro que tentei. Mas eu fujo da mesa só ao sentir o cheiro do negócio. E quiabo foi o mesmo fiasco, eu adoro, mas o pai abomina, aí não dá pra disfarçar a cara dele. Ainda bem que ela gostou das outras verduras/legumes.

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    1. Oi Paolla!! Eu e meu pai adoramos sabores amargos. Então ele fazia salada de jiló com muito limão e comíamos juntos. Sabe como ele já fez também? Empanado!! Fica gostosinho. (mas lembre-se que eu gosto dos amargos!). ARGH!! Odeio quiabo!!!

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